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Desigualdade e violência de gênero: É preciso resistir

Desigualdade e violência de gênero: É preciso resistir

Floriano Martins de Sá Neto*

Os números da desigualdade e da violência de gênero no Brasil assustam. E muito! A sensação de impunidade, de impotência e a desesperança diante dessa realidade são inevitáveis. Porque tanta crueldade contra as mulheres? A resposta é longa e envolve vários fatores, como educação, economia, política, religião, cultura e, o principal deles, uma sociedade estruturalmente machista.

Em todo mês de março há uma enxurrada de informações e pesquisas sobre a questão de gênero no Brasil. Ano a ano, os resultados parecem ter piorado.

Nesta mesma semana em que se comemora o 8 de março, vários casos de feminicídio chocaram o país. Romilda, Emanuelly, Ana, Cláudia, Maria, Mércia, Lúcia, Cristina, Fernanda, Luana, Ione, Araceli, Joelma, Louise, Eliza, Ana Lídia... Todos os dias mulheres são estupradas, violentadas e mortas no Brasil. Entre 70% e 80% dos casos, os crimes são cometidos por pessoas conhecidas das vítimas (ex-parceiros, namorados, maridos, tios, primos, amigos). Até quando? É o que nos perguntamos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 5.550 municípios brasileiros e apenas 497 delegacias especializadas de atendimento à mulher e 160 núcleos especializados dentro de distritos policiais comuns. Ou seja, o país ainda nãos se preparou verdadeiramente para enfrentar esse problema.

Apesar de todos os avanços no campo do trabalho, educação, sexualidade e família, a luta das mulheres está longe de acabar. Elas continuam recebendo salários menores, têm jornadas de trabalho maiores (acumuladas ao trabalho doméstico), são as que mais se dedicam aos cuidados da família (filho, parceiros e idosos). A violência física, psicológica e sexual, na minha opinião, continua sendo a mais danosa. E que mais choca. Não importam se são adolescentes, idosas, mulheres adultas ou ainda bebês. Podem ser vítimas em qualquer idade.

De acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, com a Pesquisa Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (DataSenado-2015), no Brasil, a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada, a cada 5 minutos uma mulher é agredida e a cada duas horas uma mulher é morta.

Não há coincidências nesses resultados. Até quando vamos permitir que isso aconteça?

A construção de um país desenvolvido, rico, justo e solidário passa, obrigatoriamente, pelo fim da desigualdade e da violência de gênero. Essa deve ser uma luta de toda a sociedade!

Neste 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, nossa homenagem é para todas as mulheres que, lamentavelmente, foram vítimas da violência de gênero no Brasil. Nenhuma merecia! Nenhuma merece!

#AnfipPelasMulheres

(*) Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e presidente da ANFIP

 
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