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VILSON ROMERO: UM INQUIETO "NEUROTICAMENTE" ORGANIZADO

Atualizado: 21 de abr. de 2023

Liberdade de imprensa e obrigatoriedade do diploma de Jornalismo são as principais batalhas da vida de lutas do comunicador





Vilson Antonio Romero se considera uma pessoa inquieta e acredita que nunca será realizado. Afinal, a cada dia quer crescer, aprender, produzir e deixar um legado. Pelo menos, ser uma referência para a família, em especial, às duas filhas, Larissa e Andressa, e ao neto Eduardo. Na profissão, o jornalista crê também que, ao menos na área do combate, da divulgação e da denúncia sobre o que afeta a profissão, há muito ainda o que fazer. Uma das metas é congregar as diferentes classes representativas da área. Por isso, ele segue lutando. Nascido em 27 de abril de 1957, em Porto Alegre, o gaúcho é filho de Juan Herrera Romero e Florentina Romero, já falecidos. O pai veio ao Brasil refugiado da Guerra Civil Espanhola. No País, foi empreiteiro da construção civil, mas faliu e virou pedreiro. A mãe era costureira. Dessa forma, criaram ainda mais dois filhos: Líria e Luís Francisco. No entanto, aos 16 anos, Vilson se viu obrigado a assumir o "papel de arrimo da família" e começou a trabalhar para sustentar os irmãos. Durante a infância, estudou com bolsas nos colégios Maristas e Rosário. Nesse segundo, cursou o técnico em Contabilidade, na Escola Técnica de Comércio, que equivalia ao secundário, e recebeu o CRC do Conselho Regional de Contabilidade, em 1974. Depois de passar por três empresas, começou no setor administrativo-financeiro da Caldas Júnior, em seguida, passando para o de Promoções. Foi o seu primeiro contato com o Jornalismo. Na empresa, conheceu Laila Pinheiro, editora de um dos cadernos da 'Folha da Tarde'. "Metido a escrever algumas coisas", como ele diz, apesar de ainda não ser formado, Vilson começou a assinar um artigo de opinião quinzenal. A estreia ocorreu em 1989. No veículo, ele também se aproximou de Antônio González, à época editor de Polícia do impresso. Antes, porém, em 1985, ele se graduou em Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Dois anos depois, em abril, assumiu como Fiscal de Contribuições Previdenciárias do Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas), em Novo Hamburgo. Isso depois de integrar a Comissão Nacional que reverteu a anulação do Concurso de 1985, permitindo todas as admissões de auditores até 1995. Com muito tempo livre, na sua opinião, pediu a Antoninho Gonzalez, então diretor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), para ingressar na instituição como diplomado. E assim, já com cerca de 30 anos, ingressou na faculdade de Jornalismo e foi colega de hoje profissionais como André MachadoFelipe Vieira e Nando Gross. Sem vontade de ir à própria formatura, foi instigado pelo diretor a realizá-la no 'Bar da ARI', evento que ocorria semanalmente aos sábados e reunia os jornalistas na Associação Riograndense de Imprensa (ARI). E foi nessa oportunidade que conheceu diferentes personalidades do meio. Entre 1992 e 1995, manteve uma coluna sobre previdência social no Jornal do Comércioorientando os trabalhadores, dando as novidades. Sobre esse assunto, também colaborou com o Jornal do Aposentado e do Servidor Público do Rio de Janeiro, entre 1993 e 2015. Atualmente, Vilson escreve artigos opinativos e envia para o aproveitamento em jornais. No entanto, confessa que, atualmente, não possui mais tanta rotina, como antigamente, quando o fazia a cada 15 dias. Os textos, espécies de crônicas do cotidiano, abordam o serviço público e a política. Alguns escritos renderam coletâneas que se transformaram em livro, como o 'A duras penas', publicado em 2017. A obra reúne redações sobre política, economia, previdência, liberdade de imprensa e cotidiano veiculadas entre 2015 e o ano da edição. Ainda, como autor, possui cerca de 10 obras editadas. Como assessor de imprensa, em 1993, em Brasília, criou o Departamento de Comunicação Social da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita), no período em que foi vice-presidente nesta área. Até 1997, foi editor da Revista de Seguridade Social e do Informativo Fiscal e redator semanal do Linha Direta, periódico semanal da entidade. No Rio Grande do Sul, foi editor e redator do Boletim Plantão Fiscal, da Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Agafisp), entre 1989 e 2002, e 2019 e 2021. Na organização, foi vice-presidente Cultural e Social, diretor de Comunicação Social, Administrativo, Cultural e Social e de Política de Classe. Também contribuiu com o Jornal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). No entanto, nunca desenvolveu essas atividades efetivamente como profissional contratado. "Foi como colaborador, um trabalho voluntário", explicou. Como referência histórica no Jornalismo, Vilson destaca Antoninho González, por ser a primeira pessoa que o incentivou na profissão, com quem ele tinha proximidade e pelo fato de ter referendado o ingresso dele como diplomado na Famecos, período em que acredita que começou a aperfeiçoar a capacidade de síntese e de redigir. O radialista Enio Rockenbach e o ex-ministro da Previdência Antonio Britto, antigo chefe da Central do Interior da Caldas Júnior, também são nomes de influência para ele. Na ARI, o profissional conviveu com "grandes jurássicos do Jornalismo gaúcho", como Alberto André, que foi presidente da Associação por 34 anos. Em um desses mandatos, integrou a diretoria. Mas o comunicador defende que o aprendizado é constante: "Continuamos a aprender a cada dia, e isso é o mais importante". Batalha pela união da categoria A trajetória profissional de Vilson é marcada pela atuação em entidades representativas. Em 1976, foi fundador e primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração das Empresas Jornalísticas do Rio Grande do Sul. Auditor Fiscal da Receita Federal aposentado, no presente, é presidente da Anfip desde 2022, em seu segundo mandato. Ainda, é vice-presidente, diretor de Direitos Sociais e Imprensa Livre e membro titular do Conselho Deliberativo da ARI desde 2015. Participou da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos entre 2018 e 2021. Ainda, integra a Diretoria Nacional do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), preside a Pública Central Sindical do Servidor no Distrito Federal e o Conselho Previdenciário do PDT. O que o motiva a atuar nas organizações é o entendimento de que tem como colaborar. Como jornalista, blogueiro e atuante na ABI e na ARI, "não ganho absolutamente nada, a não ser a satisfação e a vaidade de poder contribuir com alguma coisa. Isso é uma recompensa". E como essas atividades demandam bastante tempo do profissional, ele acredita que precisa ser muito organizado, senão, perde o fio. Uma das cooperações que ele pretende dar à classe é a harmonia entre as organizações. Para ele, a desunião é um problema e ocorre porque cada um quer ser protagonista. "Cada entidade quer ter seu lugar na janelinha do avião, quando, na realidade, nós deveríamos trabalhar em torno da unidade." Conforme Vilson, o crescente individualismo ocorre não só no Jornalismo, e o espírito corporativo, efetivamente, não se consolidou. Na luta pela liberdade  A divulgação da defesa da liberdade de imprensa foi provocada pelo já falecido presidente da ARI, Ercy Torma, que o incentivou a fazer uma coluna diária no jornal da Associação sobre as violências contra os profissionais da área. Assim, ele começou um boletim semanal em áudio de três minutos sobre as ocorrências no Brasil e no mundo. O produto ia ao ar na Rádio da Universidade, da Ufrgs, no programa 'Conversa de Jornalista', editado e transmitido por ele e por Glei Soares, diretor do 'Bar da ARI'. Em 2005, nasceu o 'Tambor da Aldeia', quando Vilson transformou aquilo que ele datilografava na máquina de escrever em um blog. No boletim, que existe até hoje, relata fatos violentos com profissionais da mídia nacional e internacional. Na ABI, criou o blog 'ABI Alerta', quando estava na Comissão de Liberdade de Imprensa. O comunicativo deixou de existir para dar lugar, em 2021, ao 'Observatório da Imprensa Livre', que monitora e denuncia os ataques e agressões sofridos por profissionais e veículos de Comunicação de todo o Brasil. Para ele, essa divulgação é extremamente importante, pois é preciso socializar a informação. Contudo, é necessário fazer mais do que isso, como unificar os dados. Por exemplo, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) possui um relatório, a Artigo 19 (organização não governamental de direitos humanos nascida em 1987, em Londres, com escritório no Brasil desde 2007), a Repórter Sem Fronteiras, a ABI e o Instituto Vladimir Herzog, entre outros. "Um foi porque morreu, outro foi porque está lá o jornalista, mas não é resultado do seu trabalho. Nós temos que deixar isso muito claro", argumenta. Para a resolução dos casos, o jornalista também acredita que é preciso federalizar o crime. Para a melhoria da qualidade do Jornalismo, o profissional também defende a obrigatoriedade do diploma. De acordo com o comunicador, só assim existirá a informação isenta, imparcial e fundamentada, "legitimando a profissão que nós tanto queremos honrar". Para exercer todas essas funções, Vilson acredita que é preciso responsabilidade. Por isso, ele se define como um pai responsável, disciplinado, atento ao que está acontecendo e tentando ser um líder que corresponda ao que digam. Momentos de folga Mesmo com tantos cargos, e combates a fazer, Romero diz que tem bastante tempo para descansar. Isso porque, conforme explica, "Eu acho que sou 'neuroticamente' organizado, então é só segmentar a vida". A organização, para ele, é tanto uma qualidade quanto um defeito, pois pode ser exagerada. Entretanto, também é uma forma de manter um equilíbrio e ajuda, em especial, quando a memória começa a falhar. Para isso, se antes ele anotava em uma agenda impressa, hoje registra as atividades em um meio digital. Para manter a saúde, o comunicador possui uma rotina de exercícios, que inclui cerca de 100 a 120 quilômetros por mês, entre corridas e caminhadas, quatro vezes por semana. Nos outros três dias, pratica musculação. Nessas saídas, aproveita para realizar um dos seus hobbies: a fotografia. Atualmente, ele se entusiasma com as cores de Brasília. O profissional se mudou para a Capital Federal em novembro de 2021. Já com a possibilidade de assumir a presidência da Anfip e separado, ele decidiu viver uma vida "minimalista" e evitar também o trânsito constante em aeroportos. A prática fotográfica, porém, começou na faculdade, "quando aprendi a revelar no laboratório da Famecos". A atividade renderá uma mostra no segundo semestre de 2023 na ARI, onde deverá expor cerca de 20 imagens. A leitura também integra os momentos de folga. Se, para o trabalho, os conteúdos são mais pesados - são sete jornais diariamente e títulos como 'Como as democracias morrem' -, na hora do lazer é mais leve. Um dos livros atuais, por exemplo, é o romance 'Tudo é rio', da autora Carla Madeira. 'Memórias de Adriano', da autora belga Marguerite Yourcenar, foi lido recentemente. Além disso, acompanhar o Internacional é uma das paixões. Sócio do clube, ele ia ao Beira-Rio frequentemente, até se mudar para a Capital Federal.


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